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Seja qual for o carma de uma pessoa, sempre há um profundo significado para a sua existência.
A mudança do mundo começa com a mudança fundamental de nossa mentalidade. Este é um princípio-chave dentro do budismo. A poderosa determinação de converter até o carma adverso em missão pode transformar radicalmente o mundo real.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Em Portland...



Vindo a Portland, EUA, a trabalho, consegui dar uma passada no Centro Cultural aqui da área, onde participei de uma reunião de Chakubuku e até tirei uma foto com a Men's Division, a nossa DS.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Você é determinado ou "cismado"

Hoje posto uma matéria publicada no Jornal Brasil Seikyo, de uma série intitulada "Os Encantos da Filosofia Budista", que tem como título Você é determinado ou "cismado".


Aos iniciantes
A determinação, assunto desta página, ativa o poder do Gohonzon (BS edição no 2.036) e gera os beneficios (BS edição no 2.034).
[nota da Redação: a origem do conceito budista de determinação é o termo japonês itinen. Para melhor compreensão e exposição do texto, optamos por grafar das duas formas.]

O que é?
É o itinen de cada um que torna a vida do jeito que é. Do ponto de vista do Budismo Nitiren, a determinação é o foco da sua mente neste momento. Não há pessoas “sem determinação”. Existem indivíduos “determinados” a sofrer ou “determinados” a serem felizes. A questão é para onde o itinen está direcionado. O objetivo do budismo é tornar seu itinen ideal, iluminado.


O determinado
A determinação ideal é aquela que vem de dentro, reluzente, autêntica. Você sente uma natural necessidade de algo vindo do seu eu. E age na certeza de que aquilo já foi alcançado. Uma convicção assim é baseada num estado iluminado a partir da fé no Gohonzon. Suas ações, após a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo, estarão baseadas nessa certeza e cada ato contribui para aumentar a satisfação e a alegria por ver o externo modificar-se para melhor.

O cismado
Já o cismado, baseia-se em coisas externas. Teima em conseguir algo por influência externa, para agradar os outros ou “mostrar” a alguém. A determinação ideal gera satisfação plena, sabedoria e energia vital. A cisma traz ansiedade e sensação de vazio. Por mais que consiga o desejado — o que é raro — não produz valor interior e corre o risco de gerar transtorno ao seu redor.

Para acertar sempre
Não importa qual sua necessidade pessoal, seu objetivo, tenha claro interiormente qual é o motivo, o “porquê”. Isso gera valor positivo, ou seja, o benefício. Ore com a determinação de que a conquista lhe dará mais condições de se empenhar em prol do Kossen-rufu.

O cismado
Mesmo alguém apático ou triste, tem determinação. Afinal, apesar da vida seguir um curso natural em direção a felicidade, ele está decidido ou “cismado” que não merece ser feliz e que seu problema não tem solução. Sua determinação, focada na negatividade, encobre seu verdadeiro eu. Ele está focado no problema. A infelicidade é uma determinação mal utilizada, desfocada, iludida. O cismado tem um objetivo, mas busca atingí-lo na mesma condição interior que é a causa da sua derrota. Ele não quer mudar e nem assumir a responsabilidade. Tal atitude sempre o levará ao mesmo resultado, porque a pessoa não se preocupa em gerar a condição interna para mudar o externo.


Como vencer em tudo
A chave da vitória é direcionar seu itinen para a felicidade e não para o sofrimento. Se deseja atingir a felicidade absoluta [Estado de Buda], acredite em si mesmo. Fortaleça seu coração cultivando força e convicção interna, até que se torne inabalável diante de qualquer obstáculo. O coração ou a mente é o que determina a vitória ou a derrota em tudo.


O determinado
O determinado senta diante do Gohonzon com a certeza absoluta da vitória e transborda confiança, alegria. Seu coração está livre e sua convicção é máxima. “Um coração libertado dos grilhões da ignorância é imenso como o céu, livre como uma águia planando nas alturas.” (Daisaku Ikeda, TC, edição no 490.). É essa a condição que a pessoa deve sentir no momento em que determina.

Itinen ideal
O itinen ideal é um estado mental livre de preocupações, pois a pessoa passa a enxergar as coisas como elas realmente são. Ou seja, tudo é causa, motivo para a felicidade absoluta.

Mude o passado
O cismado vive a lamentar o passado e a temer o futuro. Ele nunca enxerga o potencial do presente como causa da iluminação. Mesmo orando ele agoniza, sua mente fica nublada e preocupada. O presidente Ikeda explica: “Ficar limitados pelas causas do passado, reclamando de seus efeitos no presente, torna a vida infeliz. [...] Ao elevar nosso estado de vida no presente, as causas negativas que fizemos no passado são transformadas em positivas. Não há nenhuma necessidade de ficar prisioneiro do passado; de fato, podemos até mesmo mudar o passado.” (BS, edição no 2.011, 14 de novembro de 2009, pág. A3).


Cuidado com a covardia
O cismado tende a ser covarde e “a covardia nos fecha os olhos” [Ralph Waldo Emerson]. Por isso, o cismado esbarra no menor obstáculo como algo intransponível: “O medo nos impede de perceber a verdade, não nos deixa enxergar os fatos como realmente são. Faz com que uma dificuldade insignificante pareça um obstáculo enorme”. (Daisaku Ikeda, TC, edição 490). Nitiren vai mais fundo: “Tenha uma forte fé. Um covarde é incapaz de obter respostas de suas orações”. (WND-1, pág. 795).

No beco sem saída
O cismado roda, roda e está sempre num beco sem saída, preso às tendências cármicas. O determinado jamais é derrotado e vence as mais difíceis batalhas com sabedoria e alegria. “Seja qual for a circunstância, quando nos baseamos na Lei Mística, a Lei suprema do Universo, jamais nos veremos num beco sem saída.” (Ibidem).

Como orar para vencer
Quando alguém com itinen ideal ora Daimoku, ele o faz com alegria, na certeza da vitória. O cismado ora aguardando de maneira incerta que algo aconteça de algum lugar. “A determinação de uma pessoa é extremamente sutil. São essas sutis diferenças no itinen que refletem no Universo para manifestar-se como resultados radicalmente diferentes.” (BS, edção no 1.231, 26 de junho de 1993, p. 3.)


Itinen correto é itinen iluminado
Vencer a escuridão fundamental é focar o itinen no Kossen-rufu. Este ato prova que estamos focando naquilo que é essencial e concreto. Empenhar-se em prol do Kossen-rufu de acordo com a unicidade de mestre e discípulo faz manifestar o benefício supremo de vencer qualquer ilusão capaz de nublar o nosso itinen.

Eduque seu itinen
O Gohonzon existe para mudar o itinen. Uma oração baseada no itinen correto conduz à ações e resultados concretos. A determinação ideal faz a pessoa assumir o controle sobre a vida. A vontade de agir cria a oportunidade mas a ilusão faz perder a consciência de que você é o personagem ativo da situação. “Tudo está ruim! Não é possível que sou o causador disso?!”, pensa o cismado. O determinado tem a mente clara e naturalmente acha soluções criativas. Por meio da prática diante do Gohonzon, o determinado educa seu itinen.

A estratégia para vencer
A melhor estratégia para a vitória absoluta é ter um itinen ideal. Ou seja, essa é a “estratégia do Sutra de Lótus”. O presidente Ikeda resume: “A ‘estratégia do Sutra de Lótus’ corresponde à fé no Gohonzon; à fé que combate a ignorância e a ilusão, que transforma o carma negativo em positivo e que triunfa sem falta por meio da oração convicta, da sabedoria e da coragem ilimitadas — todas derivadas dessa oração.” (Ibidem).

Um exemplo interessante
Imagine a seguinte situação: uma pessoa deseja que sua família pratique o budismo. Se o desejo for verdadeiramente a felicidade da família, ela se empenhará em mudar, em tornar-se exemplo do que gostaria de ver nos demais. Sua atitudes naturais não são uma estratégia qualquer e sim consequência da disposição de oferecer o melhor, de contribuir para a felicidade das pessoas, independentemente da religião que elas mantenham. O compromisso é com a felicidade da sua família e não com a “religião” em si. Esta é a pessoa determinada! Com essa postura, naturalmente os membros da família passam a confiar e a acreditar na pessoa. Lembre-se, “o propósito do advento do lorde Buda neste mundo estava em seu comportamento como ser humano.” (END, vol. 1, pág. 299.)


Já o cismado...
Por outro lado, se a preocupação for baseada no que os outros vão pensar pelo fato da família não praticar, a pessoa passa a cobrar, tentando empurrar a prática budista a todo custo e tornando-a a causa de brigas e discussões. Não se nota o mínimo de disposição para ser um exemplo. Este é o cismado!

Outro exemplo interessante
Numa ocasião, para um homem cuja a esposa era contra a prática da fé, o presidente Toda disse:
“Você deve cumprir seus deveres como chefe da família. Não está ganhando dinheiro o suficiente. Um marido deve adorar a esposa e ter condições de comprar-lhe um vestido novo de vez em quando.
Esse problema é você quem tem de resolver. O problema não é sua esposa, mas você. Você é quem deve mudar em primeiro lugar. Deve se tornar um ser humano admirável. Como ela está contra sua prática, num certo sentido você se tornou dependente dela.
Depende de você criar um estado de vida de total liberdade...
Enquanto reclamar para ela, não estará praticando a fé corretamente. Quando demonstrar para sua esposa a mesma consideração que demonstra para o Buda, ela não terá nada do que reclamar.
Em geral, não há nenhuma razão para um marido reclamar da esposa. Mesmo porque ela não está recebendo nenhum salário de você! E aposto que você nem mesmo compra roupas novas para ela! Portanto, em vez de ficar resmungando, deveria tratá-la com carinho. É aí que começa a fé. Não suporto ouvir homens reclamando porque a esposa não pratica ou culpando-a por seus problemas quando eles mesmos não demonstram nenhum resultado de sua prática da fé.” (BS, edição nº 1.567, 12 de agosto de 2000, p. 3).

Itinen Sanzen
O itinen (determinação em um dado momento) faz surgir o sanzen (três mil mundos), tanto positivamente (o “determinado”) como negativamente (o “cismado”). É por isso que o Gohonzon é considerado o itinen sanzen prático.

Conclusão
Imagine que você pudesse fotografar seu estado mental. Esta fotografia, a imagem que você tem de si mesmo, é o que determina sua vida. O estado de vida revelado nesta foto passa a ser o seu estado básico de vida. O Gohonzon é considerado o itinen sanzen prático porque é uma especie de fotografia do estado de Buda. Praticar diante do Gohonzon faz com que nossa vida copie aquela imagem do estado de Buda demonstrada no Gohonzon. O estado ideal é quando oramos com sinceridade e o Gohonzon passa a ser o nosso coração. A fotografia que irá nos guiar em tudo é o estado de Buda que passa a ser nosso estado básico de vida.

Fonte: BRASIL SEIKYO, EDIÇÃO Nº 2038, PÁG. A3, 05 DE JUNHO DE 2010.

Se você já membro da BSGI ou frequenta algum bloco de estudo, não deixe de assinar o Jornal Brasil Seikyo e/ou a Revista Terceira Civilização, que são os veículos por onde aprofundamos os conhecimentos do Budismo de Nitiren Daishonin. Caso não seja nem membro ou ainda não frequente algum bloco de estudo, você pode assinar diretamente do site da Editora Brasil Seikyo pelo email assinaturas@brseikyo.com.br

terça-feira, 15 de junho de 2010

Até quando?

Estava navegando pelo Facebook de uma amiga quando li no seu status uma parte da letra de "Até quando" do Gabriel o Pensador, de uma música que já havia ouvido, mas na ocasião não fiz a associação com o Budismo, como desta vez. Vejam e me digam se isso não é a descrição da Revolução Humana?


"Mude, que quando a gente muda o mundo muda com a gente.
A gente muda o mundo na mudança da mente.
E quando a mente muda a gente anda pra frente.
E quando a gente manda ninguém manda na gente.
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura.
Na mudança de postura a gente fica mais seguro,
na mudança do presente a gente molda o futuro".
Gabriel o Pensador

sábado, 12 de junho de 2010

Seja forte

Recebi por email esse vídeo e resolvi postar aqui para dividir essa maravilha com todos que frequentam o Buda Na Web. Bom proveito!
"Eu vou me levantar 100 vezes. E se eu falhar 100 vezes, se eu falhar e desistir, você acha que algum dia eu vou me levantar?"

video

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Diagrama do Gohonzon

O Sandro, que mantém o site As Mais Belas Historias Budistas, montou um slide show (PPS) com o diagrama do Gohonzon, usando o material "O Tesouro da Vida", de Ted Morino, publicado na revista Living Budhism da SGI USA. Peguei esse slide show e transformei num vídeo, que posto aqui no blog, sempre agradecendo muito ao Sandro pela sua batalha pelo Kossen-rufu.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Poder além da vida

Hoje posto um vídeo resumo do filme Poder Além da Vida, uma belíssima exposição da filosofia budista. Clara e sem dogma, como a própria idéia sobre o tema deve ser tratada. Ideal para quem ainda acredita que o mundo é separado de nós e vive diariamente nessa cortina de ignorância que só traz ao homem o sofrimento.
A história gira em torno do ginasta Dan (Scott Mechlowicz ), que atravessa a faculdade com tudo que sempre sonhou: medalhas, garotas, amigos. Após um acidente de moto, a vida de festas e competições do jovem parece estar para sempre terminada, até que um mecânico com a sabedoria de um mestre (Nick Nolte) decide ajudar o jovem a recuperar a forma e, principalmente, seu amor pela vida. Baseado no best seller “Way of The Peaceful Warrior".

terça-feira, 27 de abril de 2010

757 anos de Nam-myoho-rengue-kyo

Em 28 de abril comemoramos a criação do Budismo de Nitiren Daishonin, pois foi nesse mesmo dia, no ano de 1253, de frente para o sol nascente, que o Buda Nitiren proferiu pela primeira vez o Nam-myoho-rengue-kyo.
Reproduzo aqui uma matéria já postada anteriormente aqui no blog sobre a vida do Buda Original dos Últimos Dias da Lei:
Nitiren Daishonin nasceu em 16 de fevereiro de 1222, em Kominato, na Província de Awa, a leste da atual Baía de Tóquio, como filho de uma família de pescadores. Seu pai chamava-se Mikuni no Tayu e sua mãe, Umeguikunyo.
Quando nasceu recebeu o nome de Zenniti-maro, e com a idade de 12 anos entrou para o templo Seityoji a fim de estudar o budismo.
Com dezesseis anos, entrou para o sacerdócio, tendo como mestre o bonzo Dozen-bo, e recebeu o nome de Zesho-bo, Rentyo. Desse dia em diante, devotou-se inteiramente ao estudo de todas as escrituras budistas.
Ele visitou os principais templos e leu todos os sutras e tratados. Como resultado, aprendeu a essência do budismo, compreendendo a doutrina e o método para a salvação de todas as pessoas. Após dezesseis anos de estudo e prática, compreendeu que o ensino fundamental do budismo é o Sutra de Lótus.
Ao meio-dia de 28 de abril de 1253, no templo Seityoji, ele proclamou o Nam-myoho-rengue-kyo como único e verdadeiro ensino de Mappo, estabelecendo o Verdadeiro Budismo. Estava então com 32 anos (1) de idade.
Nessa ocasião, nomeou a si próprio de Nitiren (literalmente, Sol de Lótus).
Quando Daishonin declarou a Verdadeira Lei, refutou a seita Nembutsu (ou Jodo) afirmando ser a causadora do inferno de incessantes sofrimentos. Isso despertou o ódio de Tojo Kaguenobu, lorde da área e seguidor da seita Nembutsu. Banido de Seityoji, Daishonin foi para Kamakura, a sede do governo na época.
Numa pequena cabana, num local chamado Matsubagayatsu, ele iniciou sua atividade para a salvação de todas as pessoas.
Nos dias de Nitiren Daishonin, as três calamidades e os sete desastres (2) aconteceram sucessivamente. Em particular, um grande terremoto abalou Kamakura em agosto de 1257, e destruiu quase todos os seus principais prédios. Tendo como motivo esse terremoto, Daishonin visitou o templo Jissoji para ponderar sobre a causa das três calamidades e dos sete desastres e também sobre como erradicar essa causa. Foi durante sua estada nesse templo que Nikko Shonin tornou-se seu discípulo.
No dia 16 de julho de 1260, Nitiren Daishonin endereçou um tratado intitulado Rissho Ankoku Ron (A Pacificação da Terra por meio da Propagação do Verdadeiro Budismo) para Hojo Tokiyori, um ex-regente que exercia enorme influência sobre o governo da época.
O tratado afirmava que a causa das três calamidades e dos sete desastres estava na calúnia das pessoas à Verdadeira Lei e na aceitação de doutrinas que contradiziam o ensino do Buda.
Entretanto, Tokiyori rejeitou a admoestação de Daishonin. Enquanto isso, com o apoio de Hojo Shiguetoki, o pai do então regente Hojo Nagatoki, um grupo de seguidores da seita Nembutsu reuniu-se em Matsubagayatsu, na cabana de Daishonin, para assassiná-lo. Esse acontecimento é conhecido como “Perseguição de Matsubagayatsu”, e ocorreu na noite de 27 de agosto de 1260.
Daishonin escapou por pouco dessa perseguição, mas foi banido para a localidade de Ito, na Província de Izu, em 12 de maio de 1261. A ordem do regente — o exílio — foi na realidade uma decisão ilegal embasada somente em seus sentimentos pessoais.
Em fevereiro de 1263, Hojo Tokiyori emitiu o perdão permitindo que Daishonin retornasse a Kamakura. No dia 11 de novembro de 1264, quando Nitiren Daishonin ia visitar Kudo Yoshitaka, chefe do poderoso clã em Awa e um de seus devotados seguidores, sua comitiva chegou a um local chamado Komatsubara, onde subitamente, a tropa de Tojo Kaguenobu atacou. Essa foi a “Perseguição de Komatsubara”.
No dia 18 de janeiro de 1268, emissários mongóis chegaram a Kamakura levando ordens de submissão ou guerra. Presenciando a invasão estrangeira que ele havia predito no Rissho Ankoku Ron, mais uma vez admoestou os governantes, dizendo que deveriam converter-se ao Verdadeiro Budismo.No dia 12 de setembro de 1271, Hei no Saemon, chefe da força militar, ordenou que Daishonin depusesse na corte para investigações. Daishonin enfrentou-o destemidamente e advertiu-o sobre a conduta errônea do governo. Como resultado, dois dias depois ele foi preso como um rebelde por guerreiros liderados por Hei no Saemon. Esse chefe militarista arbitrariamente decidiu decapitar Daishonin à meia-noite no campo de execução de Tatsunokuti, em Kamakura.
Entretanto, não foi possível decapitá-lo, pois no momento da execução, “um corpo celeste tão brilhante quanto a Lua surgiu repentinamente na direção de Enoshima e atravessou rapidamente o céu de Sudeste a Noroeste. Era pouco antes da alvorada e estava muito escuro para ver o rosto de qualquer pessoa, entretanto, o objeto clareou todos. O carrasco caiu cobrindo sua face, e seus olhos cegaram-se. Em pânico, alguns soldados fugiram para longe, outros caíram de seus cavalos e outros ainda esconderam-se atrás das selas.” (“Comportamento do Buda”, END, vol.1, pág.163.) Esse acontecimento é chamado de “Perseguição de Tatsunokuti”.
Nesse momento, Nitiren Daishonin abandonou sua condição transitória como Bodhisattva Jogyo, ao mesmo tempo em que provou a si mesmo ser o Buda Original da Suprema Sabedoria. Esse fato é chamado de Hosshaku Kempon (abandonar a forma transitória e revelar a verdadeira identidade).Após a tentativa malsucedida de execução, o governo decidiu banir Daishonin para a Ilha de Sado. Forçado a permanecer numa pequena choupana, sem alimentos e em meio a um frio intenso, ele sofreu ataques contínuos por parte dos bonzos inimigos que viviam no local. Apesar de viver em circunstâncias tão severas, Daishonin escreveu muitas obras importantes nesse local.
O exílio em Sado dividiu em duas fases a vida dedicada à propagação. Desde que recitou pela primeira vez o Nam-myoho-rengue-kyo em 28 de abril de 1253 até o seu segundo exílio na Ilha de Sado, ele somente propagou o Daimoku e não se referiu aos “Três Grandes Ensinos Fundamentais”. Após a Perseguição de Tatsunokuti e seu exílio em Sado, Nitiren Daishonin assume a sua identidade como Buda Original dos Últimos Dias da Lei, ou o Buda Original da Suprema Sabedoria. Posteriormente, ele inscreveu o Gohonzon, expondo seus importantes ensinos e finalmente atingindo o propósito de seu advento — o estabelecimento do Dai-Gohonzon do Verdadeiro Budismo.
Dos escritos que completou na Ilha de Sado, os dois mais importantes são “Abertura dos Olhos” e “O Verdadeiro Objeto de Adoração”. Ele iniciou a preparação de “Abertura dos Olhos” em 1271 e terminou em fevereiro de 1272. Essa escritura é a prova documental da revelação do Buda Original. Nela Nitiren Daishonin expõe que ele próprio é possuidor das “três virtudes de soberano, mestre e pais”, e que é o “Buda Original dos Últimos Dias da Lei”, ou o “objeto de adoração em termos de Pessoa”.
Ele escreveu “O Verdadeiro Objeto de Adoração” em abril de 1273, no qual esclareceu que o Gohonzon é o objeto de devoção para a salvação de todas as pessoas nos Últimos Dias da Lei e a forma como o Daimoku deve ser recitado. Nitiren Daishonin inscreveu a sua condição de vida em forma de um mandala, revelando desse modo o “objeto de devoção em termos de Lei”.
Assim, ele ensina que as pessoas nos Últimos dias da Lei devem abraçar o Gohonzon de nimpo ikka (unicidade de Pessoa e Lei) e recitar o Daimoku com fé a fim de atingir a iluminação nesta vida.
Perdoado de seu exílio na Ilha de Sado em fevereiro de 1274, Nitiren Daishonin retornou a Kamakura em março. Em 8 de abril, apresentou-se perante Hei no Saemon, oficial representante do regente Hojo Tokimune.
Diferente da primeira ocasião, Hei no Saemon mostrou-se gentil e polido quando perguntou a Nitiren Daishonin sua opinião sobre o ataque mongol, e quando isso ocorreria. Daishonin respondeu claramente: “Eles certamente chegarão ainda este ano”, como consta no Gosho “Comportamento do Buda”. Também admoestou os oficiais contra a aceitação de religiões heréticas e solicitou-lhes que buscassem a fé no Verdadeiro Budismo a fim de evitar a invasão.
Entretanto, uma vez mais recusaram a advertência e Daishonin decidiu viver em reclusão na Vila haguiri, situada aos pés do Monte Minobu, na Província de Kai.
Em outubro de 1274, as forças mongóis atacaram Ikki e Tsushima, duas das ilhas situadas no Sudoeste do Japão, e então seguiram para a Baía Hakata, na costa nordeste de Kyushu. Nitiren Daishonin devotou-se totalmente preparando os seus discípulos e trabalhando em volumosas teses tais como "Seleção do Tempo” e “Retribuição aos Débitos de Gratidão”. Além disso, transferiu oralmente seus profundos ensinos a seu sucessor imediato, Nikko Shonin, os quais se encontram no Ongui Kuden (Registro dos Ensinos Orais), Hyaku Rokka Sho (As Cento e Seis Comparações) e Honnin-myo Sho (Sobre a Verdadeira Causa).
Em 21 setembro de 1279, vinte camponeses e seguidores de Nitiren Daishonin, que viviam Atsuhara, foram injustamente detidos. Eles foram levados a Kamakura e aprisionados, sendo coagidos a abandonar a fé no Budismo de Daishonin, mas persistiram, sem ceder às torturas praticadas pelos guardas de Hei no Saemon. Mais tarde, os três irmãos Jinshiro, Yagoro e Yarokuro foram executados, enquanto dezessete outros seguidores foram banidos de suas terras. Essa foi a “Perseguição de Atsuhara”.
Mais tarde, Daishonin mudou-se para um templo chamado Minobu-zan Kuonji. Depois, transferiu a totalidade de seus ensinos a Nikko Shonin. Em 13 de outubro de 1282, faleceu aos 61 anos (3) na residência de Munenaka Ikegami.

Notas:
1. No sistema japonês de contagem, considera-se que a pessoa já tenha um ano de idade no ano de seu nascimento

2. Três calamidades e sete desastres: Calamidades e desastres causados pela calúnia ao Verdadeiro Budismo. As três calamidades são: guerra, pestes e fome. Os sete desastres são:
(1) eclipse solar ou lunar
(2) movimento anormal dos corpos celestes ou aparecimento de cometas
(3) destruição geral pelo fogo
(4) irregularidades meteorológicas tais como tempestades e alterações anormais de temperatura
(5) ventanias e furações
(6) seca prolongada
(7) destruição do país por lutas internas ou por invasão estrangeira

3. Vide nota 1.

Texto, Exame de Budismo 2.000, págs. 48-50. Colaboração Bloco Parc des Princ
e, Barra, RJ