Nas escrituras de Nitiren Daishonin consta uma passagem que fala que, no momento da morte, mil budas surgirão diante de nós e estenderão suas mãos para conduzir-nos, e o presidente Ikeda diz que esses budas, na realidade, correspondem às pessoas que estão orando nesse momento crucial da nossa vida. É nesse momento que perceberemos quantas pessoas ajudamos a salvar ou a encontrar o caminho da felicidade.
Segundo o budismo, a condição de vida dos familiares e das pessoas próximas que estão vivas é exatamente o estado em que o falecido se encontra. Se a família está angustiada, a condição do falecido se encontra da mesma maneira.
A visão budista da eternidade da vida e do carma é muito mais racional e aceitável do que a idéia de que existe um ser superior controlando o destino de cada um na face da Terra e que todos os acontecimentos são de vontade divina. O que somos e a vida que temos hoje são efeitos de causas cometidas nesta existência e nas anteriores. Se passamos por sofrimentos é porque temos “dívidas” a pagar. Como todos sabem, se temos dívidas, enquanto não as pagamos totalmente, os cobradores continuarão a nos enviar as contas e a nos perseguir. Após passarmos pelo estágio de vida latente, que é a morte, renascemos ou iniciamos uma nova vida a partir daquele ponto em que paramos na existência anterior. Como exemplo é como fumar um cigarro. Não é porque o reacendemos que ele voltará ao tamanho normal. Ele continuará a queimar de onde parou. Então não adianta lamentarmos dizendo que nunca fizemos mal a ninguém, que não merecemos essa vida de sofrimentos.
Embora muitos relutem em aceitar, é assim que a vida é feita. A vida é resultado das ações que praticamos durante todas as existências. O que é fantástico no budismo é que podemos amenizar os efeitos e até mesmo mudar o rumo de nossa vida por meio da recitação do Nam-myoho-rengue-kyo e de nossa dedicação em prol das pessoas e do Kossen-rufu. Podemos direcionar nossa vida para um futuro de felicidade, independente do que possamos ter feito no passado. O que determina o futuro é o que faremos neste exato momento.
O budismo esclarece que o carma é formado por nossos pensamentos, nossas palavras e nossas ações, desta e de outras existências. Tudo o que ocorre em nossa vida são efeitos. Por exemplo, quando deparamos com a doença, a primeira reação que temos é combatê-la, mas ao refletirmos pelo ponto de vista budista, estamos apenas combatendo o efeito, e o efeito não se combate. Pela lógica, procuramos um médico. Contudo, há casos que os médicos não conseguem resolver e que aquele que recita o Nam-myoho-rengue-kyo consegue. Porquê? Porque o Daimoku atinge diretamente a causa. Sim, exatamente. Ele age diretamente na causa. Numa orientação a respeito do Gongyo, o presidente Ikeda diz que quando a família continua uma prática consistente mesmo sofrendo a perda de um ente querido, todos os caracteres do Gongyo proferidos pelos familiares transformam-se em um só e posteriormente em um Buda que se desloca até o domínio onde a pessoa falecida se encontra e transmite a ela que foi enviado pelos familiares, e diz que isso automaticamente possibilita a sua iluminação. Para sermos felizes, precisamos nos desfazer de pensamentos negativistas e errôneos. As insatisfações, as lamentações só atrasam a nossa revolução humana. É por isso que Nitiren Daishonin afirma que o que mais importa no budismo é o coração. A sinceridade e o espírito de gratidão sem dúvida são essenciais. Temos de criar uma tendência de vida sempre positiva e otimista.
Esse é um ponto muito importante, pois o budismo explica que assim como cada um de nós possui os dez estados de vida, o Universo também os tem. Então quando falecemos, nossa vida funde-se exatamente com o estado do Universo referente à condição em que nos encontrávamos no momento da morte. Quem morre no estado de Inferno, funde-se com o estado de Inferno do Universo. Se a pessoa estava no estado de Alegria, funde-se com o estado de Alegria do Universo e assim por diante. É por isso que devemos sempre procurar mudar nossa tendência básica de vida e fazer sempre causas positivas dia a dia para mantermos um estado de vida elevado. O poder do Daimoku é imensurável, capaz de transformar até mesmo a vida de alguém que falece no estado de Inferno. O Daimoku que os familiares oram diariamente em memória dos falecidos contribui para isso. Entendemos que tudo depende da própria pessoa no tocante a como encarar a morte, mas para que possamos ter uma morte tranqüila e renascer logo, é importante que cumpramos em vida a promessa que fizemos de renascer neste mundo e conduzir as pessoas à felicidade, que é a ação do bodhisattva. Uma vida dedicada a esse propósito certamente atingirá a iluminação. É isso que o budismo ensina, que o mestre ensina e é esse o caminho que devemos seguir."
Fonte T.C. nº 411, 412, e 413 seleção do texto Doralice e Paulo Bruno, 01/07/2003
13 comentários:
Cesinha, que coisa maravilhosa esse texto! Quero agradecer a você por ter aberto esse "portal" que foi o Nam Myoho Renge Kyo, que tenho praticado todos os dias em minhas meditações. Quero dizer também que adquiri através do Site Cristal Perfeito, um exemplar do Livro "O Sutra de Lotus da flor Maravilhosa" que está sendo uma bênção em minha vida :)
Sei agora o quanto é importante passar adiante esse conhecimento e que são muito abençoados aqueles que o fazem; portanto, falo por mim, que milhares de bençãos se manifestem em sua vida e de toda sua família também. E que continue levando esse Mantra maravilhoso principalmente para pessoas leigas como eu, que no fundo sabemos, são as que mais precisam. Muito Obrigad@ :)
ZuZa, o próximo passo é vc começar a frequentar as reuniões que acontecem em casas de budistas mais experientes, para poder "respirar" e viver o budismo "vivo", pois o tripé é Prática, Fé e Estudo. As reuniões costumam ser de 2a a 5a às 19h. Posso arranjar um grupo de estudos perto de vc. É só me avisar o bairro que moro que corro atrás.
Boa sorte, em tudo!
Prezado Amigo,
Muito bom o seu texto. Faz muito sentido. Porem eu gostaria de mostrar a voce um ponto que eu respeitosamente discordo.
A concepcao de que a vida que vivemos hoje e consequencia de fatos que ocorreram nesta e em outras vidas e uma conclusao e nao uma verdade absoluta. Esta ideia "pode" ser verdade mas nao e a verdade absoluta. Seria verdade se fosse provada, neste ponto esta afirmacao e tao verdadeira como as afirmacoes da biblia, as quais para nos nao fazem sentido mas que para bilhoes de pessoas fazem. Estas pessoa afirmam, assim como voce afirma, que aquilo que eles creem e a verdade absoluta.
Nenhum dos dois esta correto, a resposta certa e que nos NAO SABEMOS. Pode ser mas tbm pode nao ser.
Grande abraco e continue o seu bonito trabalho!
Flavio
O foco do texto não é afirmar nenhuma "verdade absoluta", mas mostrar como o assunto é encarado sobre o ponto de vista do Budismo.
Isto está bem claro no texto, em várias partes, como por ex: "SEGUNDO o budismo, a vida é eterna. Ela não acaba com a morte".
Isso é bem diferente de fazer uma afirmação como "A vida é eterna. Ela não acaba com a morte".
Veja o título da matéria " A Visão Budista da Morte".
O texto não está afirmando que essa seja a verdade universal. Mostra como o Budismo vê tal questão, ou seja é um texto apresentado sob a ótica Budista.
Parabéns sobre o artigo
me ajudou muito.
Querido Companheiro: É com grande alegria que acompanho suas orientações, que diga-se de passagem,estão perfeitamente de acôrdo com nosso Mestre da Vida,Ikeda Sensei.Sou praticante já há muito tempo;sempre procurando estudar,fazer chakubuku e,lògicamente, Orar...Seguindo a orientação do Ikeda Sensei,que diz: Por mais que o praticante estude o Budismo, ele senpre terá algun impasse e precisará, nesta hora, de alguém que o oriente.Então gostaria que me indicasse alguma "coisa" (livros, textos ou talvez vc mesmo possa me explicar, o que seria preferível para mim)como nós budistas devemos compreender essas pessoas que fazem operações "espirituais", os chamados Milagreiros? Muito Obrigado pela sua paciencia e pela luta q rem empreendido pelo Kossen Rufu.Paulo
Caro Paulo, grato pela mensagem!
Esse tema - operações espirituais e espíritos, eu também me preocupo de não saber como analisar esses chamados fenômenos através do meu pouco conhecimento sobre Budismo! Volta e meia cruzo com pessoas que trazem esse assunto à tona.
Citando Lou Marinoff, do seu excelente livro o Caminho do Meio, "O caminho óctuplo não menciona e nem exige a crença em seres sobrenaturais, escrituras sagradas, vida após morte, reencarnações ou rituais. O que une a humanidade não são as divindades supremas nem as almas divinas: é a nossa capacidade de nos tornarmos seres totalmente despertos. A realização de cada pessoa vem de dentro e não depende de nenhum poder sobrenatural ou vida futura. Só vc tem as chaves para a sua redenção."
Assim como você, eu também gostaria de ter alguma fonte confiável que enfocasse essa questão sob a luz do Budismo!
Cesinha, seu blog é uma maravilha me ajuda muito. Bom tenho muitas dúvidas ainda na religião que escolhi e me emepnho : O budismo de Nitiren Daishonin. Após a morte existem pessoas que não reencarnam e ficam vagando. Vou ser mais clara tive um cunhado e padrinho do meu filho, que faleceu ano passado, nas vesperas de natal,num acidente de moto. Sempre oro por ele...Hoje sonhei que ele estava entre nós vivos, como se não soubesse que está morto e deve seguir seu caminho. Continuo orando por ele. Por que será que sonhei com ele? Eu nunca me lembro de meus sonhos!
Meu e mail : alziramega@yahoo.com.br
Frequento a comunidade Dias da Cruz. Meier.
Um abraço,
Espera ai um pouco, faz favor. Vcs falam que tudo depende da pessoa para ser feliz, sem intermediação, e vem falar que não importa que a pessoa morra no estado de inferno, que mesmo a familia orando o tal de (não consigo falar) a pessoa possa deixar este estado. Cade a responsabilidade.
Boa tarde!!
Sou budista há anos e me indicaram seu blog pelo facebook. Adorei a explicação que me ajudou muito nesse momento em que acabei de perder uma cunhada jovem devido um tumor no cérebro, que tbm é budista...Me sinto melhor agora, pois podemos ajudá-la com as nossas orações. Obrigada e parabéns!!
Cezinha, depois de 01 ano e meio da morte de minha mãe, que era amada demais pelos seus filhos e netos e por mtas pessoas, foi que consegui entender a nossa reação diante de seu falecimento: sempre pensei que entraríamos em desespero no dia em que ela nos faltasse, no entanto, estávamos todos calmos e tranquilos. De nossa familia, sou a única budista; sou praticante do Budismo Nitiren há 24 anos, hj pertenço ao Distrito Costa Esmeralda, em SC. Graças à clareza de seu texto, entendi que nossa mãe faleceu em paz, e o quanto nossas orações sao importantes para ela. Obrigada mesmo, sou uma admiradora sua, da sua dedicação e do trabalho que vc realiza aqui na web. Um grande abraço, e parabéns!!!
Boa noite, meu nome é Kalil e nasci em uma casa de praticantes budistas, quero dizer que realmente essa matéria como outras desse site são ótimas, sempre claras e objetivas, meus parabéns. Ao ler os comentários algo me chamou a atenção, um anônimo disse que o texto entrou em contradição ao dizer que se um ente querido já desencarnado estiver sofrendo(em estado de vida inferior) este cessará caso nós oremos por ele, para esse anônimo eu digo que este sofrimento é um momento em que o que sofre está cego pelas suas causas negativas realizadas no passado e que nossas orações se constantes e se feitas de coração serão uma luz que aos poucos o ajudará a sair desse estado, mas é claro que para isso é necessário que este queira melhorar e se arrepender de seus erros, espero que com esse comentário fique claro que toda a força para a mudança do estado de vida sempre partirá de dentro para fora do indivíduo e que as orações e conselhos serão sempre um auxilio para este.
Parabéns materia fantástica! Perdi recentemente minha bisavó e pude reler uma tc de março de 1993 onde Jossei Toda pede que após seu falecimento o seu corpo fique exposto por sete dias para que todos vejam como é o Aspecto de iluminação. Realmente impressionante! Inclusive lembrei de ja ter visto em video o seu funeral.
Postar um comentário