segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Os oito ventos

“Um homem verdadeiramente sábio não será arrebatado pelos oito ventos: prosperidade, declínio, desgraça, honra, elogio, censura, sofrimento e prazer. Ele não se inflama com a prosperidade nem se desespera com o declínio. Os deuses celestes seguramente protegerão aquele que não se curva aos oito ventos.” 

EXPLANAÇÃO: Essa é uma passagem das mais famosas, de onde origina-se o título deste Gosho – “Os Oito Ventos” (Gosho Zenshu, págs. 1150-52), Nela Nichiren Daishonin adverte Shijo Kingo a não ser governado por suas reações emotivas e a permanecer firme na fé.
Ao observar a lista dos ‘Oito Ventos’, notamos que podem ser agrupados em duas categorias. Quatro deles – declínio, desgraça, censura e sofrimento – são universalmente considerados indesejáveis. Entretanto, os outros quatro – prosperidade, honra, elogio e prazer – não são considerados somente desejáveis mas também constituem os objetos primários do empenho de muitas pessoas. Daishonin diz, contudo que todos os oito ventos podem ser “ventos” que tiram as pessoas de seu curso, isto é, agem em detrimento de nossas vontades, caso permitamos controlar-nos.
De forma geral, as pessoas tendem a vacilar na fé sob duas condições: quando tudo está indo bem e quando as coisas estão indo mal.
Em épocas de prosperidade, inclinamo-nos a tornar complacentes e perder nossa motivação, permitindo que a nossa resolução esmoreça.
Em períodos de sofrimento, podemos desanimar e abandonar as esperanças. No entanto, se basearmos a nossa felicidade somente em fenômenos externos transitórios tais como elogio ou o sucesso, ficaremos vulneráveis às circunstâncias e não encontraremos nenhuma felicidade duradoura. Nitiren Daishonin ensina aqui que esse modo de viver não é próprio de um “sábio”. Ao invés disso, devemos nos esforçar para desenvolver uma fé sólida o bastante para tornarmo-nos independentes das circunstâncias imediatas favoráveis ou não.
Isto não significa que devemos permanecer desinteressados ou indiferentes às dores e alegrias da vida. Antes, dizendo que um homem sábio “não se inflama com a prosperidade nem se desespera com o declínio” . Daishonin nos incentiva a estabelecer um senso de felicidade e auto-identidade que não podem ser influenciados pelos ventos das circunstâncias. Isto é possível tendo como base a fé na Lei Mística, uma fé que nos desperta para a nossa natureza eterna de Buda. Uma pessoa cuja auto-consciência é seguramente enraizada na dimensão da vida eterna será infalivelmente protegida pelos “deuses celestes”- isto é, ela conseguirá manifestar o poder inato da vida para utilizar todas as circunstâncias externas, sejam boas ou más, de modo construtivo, como oportunidade para aprender e desenvolver-se.

Este é o significado da verdadeira liberdade para um ser humano.
O movimento da Soka Gakkai é justamente para despertar cada indivíduo para a revolução humana e, consequentemente, para o cultivo do lado positivo da vida.
No romance Nova Revolução Humana consta: “Os seres humanos são extremamente complexos, cuja mente altera-se constantemente. Em um momento podemos estar no auge da alegria e, em seguida, cair num abismo de sofrimento ou de incontrolável ira. As pessoas possuem também o sentimento de amar e até de se sacrificar para salvar os outros. Porém, são capazes de odiar, de ter inveja, de dominar os outros e tirar-lhes a vida sem piedade. Se os homens são os causadores de guerras e destruições, são também os construtores da paz. Portanto, o ser humano é a base de tudo, o alicerce do desenvolvimento social. Nosso movimento focaliza a luz em cada indivíduo a fim de despertar a bondade inata e a vida criativa inerente, fazendo com que se torne inabalável diante de qualquer circunstância e que jamais seja dominado pelas ambições mundanas. Nós chamamos este processo de revolução humana’.... O humanismo pregado no budismo não polariza as relações colocando o indivíduo em confronto com as demais pessoas, os seres humanos com as outras espécies de vida e com o seu meio ambiente. O budismo expõe que tudo está inter-relacionado e que somente dentro dessa harmonia é possível criar a felicidade do ser humano. Nesse sentido, poderíamos dizer que é um humanismo que abrange todo o Universo”.
Aprendemos no budismo que, por mais que tentemos culpar as pessoas por nossos sofrimentos e conflitos, tudo reside dentro de nossa vida. Se não houver a causa, não há o efeito.
Aprendemos também que as pessoas com as quais convivemos fazem parte da nossa “inter-relação cármica”.

O sol aquece todas as pessoas igualmente, mas algumas acham que aquece mais o seu vizinho. Antes de reclamar do Sol, que tal verificar se o ar-condicionado não está ligado? Ou seja, antes de analisar as atitudes dos outros, analisemos a nossa. As causas que os outros fazem, trarão efeitos a eles próprios. Cada um deve se preocupar com o efeito de suas próprias causas. Isso é revolução humana.
O primeiro passo é a elevação do nosso nível de vida para podermos extirpar a maldade em nosso coração, cultivando a tolerância e buscando um equilíbrio nas relações com as pessoas que nos rodeiam.
A frase da escritura “Os oito ventos” fala: “Um homem verdadeiramente sábio não será arrebatado por nenhum dos oito ventos; prosperidade, declínio, desgraça, honra, elogio, censura, sofrimento e prazer. Eles não se inflamam com a prosperidade nem se desesperam com o declínio”.
Saber mover gestões mesmo em meio às dificuldades é, na prática, o motor que impulsiona o desenvolvimento.
“No curso da fé e da prática, vocês não devem fazer nada que vá contra o bom senso. Sempre e onde quer que vocês agirem com uma atitude correta na fé, aumentarão naturalmente a sabedoria e obterão um discernimento claro. Com isso, conseguirão alcançar uma existência de mais sucesso e harmonia na sociedade, reunindo uma perspectiva mental ampla e o poder para guiar outras pessoas”.

Portanto devemos discernir corretamente a situação real que está vivendo e evidenciar a sabedoria para descobrir o caminho que conduzirá à solução das dificuldades. E a fonte inesgotável dessa sabedoria é a energia vital e a boa sorte proveniente da firme prática do Gongyo e do Daimoku."

Texto cedido por Doralice e Paulo
Fonte: B. S. n.º 1462,1458, 1465, N.R.H. vol. V.

Adriano Bruno – Han Lagoa Mar.

2 comentários:

JAIRO PEDRO LIMA disse...

EXPERIMENTAMOS CONTANTEMENTE A INFLUENCIA DOS OITOS VENTOS,ELES PODEM SE MANIFESTAR POR VARIAS VEZES,DURANTE UM UNICO DIA, TANTO OS QUATRO VENTOS FAVORAVEIS, QUANTO OS QUATRO CESFAVORAVEIS,POR ISSO NÃO DEVEMOS NOS CURVAS A NENHUM DELES, POIS FAZEM PARTE DA NOSSA REVOLUÇÃO HUMANA, QUANDO QUALQUER UM SE MANIFESTAR,MANTENHA-SE FIRME, E CONTINUE RECITANDO O DAIMOKU, ISTO LHE AJUDARA SOBREMANEIRA A ATINGIR A REVOLUÇÃO HUMANA

Metamorfose disse...

Maravilhoso descobrir este poder revolucionário